O Estado do Estado

Grande parte da última campanha eleitoral para as eleições legislativas foi passada com críticas da oposição ao frágil estado das contas públicas do país e à sustentabilidade da manutenção das políticas do Governo anterior. O PS acusava constantemente a oposição de negativismo, de uma campanha de "bota-abaixo".

De fora começam agora a chover críticas ao estado das nossas contas públicas, e não só pelas malditas agências de rating mas também por analistas independentes. Aos poucos começamos a acordar para a realidade. A prazo, a nossa situação poderá não ser melhor do a da Grécia (muitos especialistas internacionais já nos equiparam).

A verdade é que não há neste momento uma consciência da dureza da realidade que vivemos, como houve em 2002. Nessa altura, os portugueses sentiram "na pele", tiveram de fazer sacrifícios. Infelizmente, esse esforço não foi concluído na altura, por incapacidade dos Governos e por saturação dos eleitores.

Mas está a chegar um momento em que é preciso pagar o preço do que temos vindo a fazer. E então vai doer. Muito.

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