Domingo, Julho 05, 2009

Namoros de praia...

Está-me a fazer falta a praia. Só mais uns dias...


Quarta-feira, Julho 01, 2009

Politicamente incorrecto

Porque os dias estão mais para tristezas que para alegrias, e ter de estudar para exames com este calor é chato, mais uma música para animar a malta. Na semana em que morreu Michael Jackson, trago um negro mais branco que o falecido. A cor de pele deste é de nascença. E este é mesmo de linhagem real, embora nunca tenha sido coroado, como o outro.

Senhoras e senhores, directamente do Mali, e via Paris, Salif Keita!

Terça-feira, Junho 30, 2009

Música a desoras



Thievery Corporation - Shadows of Ourselves

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Air - Moon Safari

Hoje comprei um CD, o que já não fazia há cerca de dois anos... Comprei um álbum editado em 1997, por um duo francês. Este álbum marcou profundamente a música electrónica, exercendo enorme influência em inúmeros produtores e músicos. Trata-se do álbum Moon Safari, dos Air.

Aqui deixo um videoclip de uma das faixas do álbum, All I Need, realizado por Mike Mills.


Domingo, Junho 28, 2009

Colina Sagrada: Jorge Sampaio e 2012

Jorge Sampaio, na visão de Paula Rego.

Segundo o Público de hoje, Jorge Sampaio presidirá ao Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, a fundação que tratará da concepção, planeamento, promoção, execução e desenvolvimento do programa cultural da Capital Europeia da Cultura 2012.

O Conselho Geral é o principal órgão deliberativo da fundação, cabendo-lhe pronunciar-se e aprovar as linhas orientadoras da instituição, bem como as demais competências geralmente atribuídas, noutro género de instituições, às Assembleias Gerais. Sampaio não terá funções executivas (embora estas lhe tenham sido oferecidas, através de um convite para Presidente da fundação, que recusou por questões de agenda), sendo antes a figura representativa do projecto.

Jorge Sampaio, secretário-geral do PS no final dos anos 1980, Presidente da Câmara de Lisboa nessa mesma década, Presidente da República de 1995 a 2005, tem também raízes familiares e ligações afectivas a Guimarães. Resta saber qual a mais-valia, para além do reconhecimento público, que trará à Capital Europeia da Cultura. Vale-nos a infeliz certeza de que não poderá, no Conselho Geral, demitir o executivo camarário por não concordar com as suas orientações.

A Presidência do conselho de administração caberá a Cristina Azevedo, que será a grande operacional do projecto, cabendo-lhe escolher os dois outros membros executivos que a acompanharão.

Para além destes nomes, tudo se encontra em aberto. Aos poucos, começam-se a perceber os contornos que 2012 terá.

Publicado no Colina Sagrada.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Ideias malditas: mais uma razão para privatizações completas


A história (estória?) da compra de 30% do grupo Media Capital pela PT tem dado muito que falar. A verdade é que é tudo demasiado estranho: o negócio em si, o momento, as declarações dos responsáveis.

Muito se tem escrito sobre este assunto, mas vamos tentar destrinçar o que se passa.

A PT diz ter interesse estratégico em entrar como accionista do grupo Media Capital. Segundo o jornal Público de hoje, "os conteúdos da TVI podem ser a aposta certa para alimentar a plataforma de televisão da PT, o Meo, e a melhor maneira de reforçar o poder negocial junto de outros distribuidores de conteúdos."

O Governo, que tem uma participação minoritária mas com poderes muito especiais (escolha de administradores, participação na definição da estratégia da empresa, etc.), a chamada golden share que foi já condenada pela União Europeia, diz que nada sabe do assunto. É estranho que nada saiba sobre um negócio desta dimensão o accionista com mais poder dentro da empresa e que nomeou o presidente do conselho de administração, para além de que, quando este assunto foi levado à Assembleia da República havia já um comunicado publicado desde a noite anterior...

O grupo Media Capital detém a TVI, classificada como inimiga pelo primeiro-ministro e odiada por quase tudo quanto é socialista socrático. É também um grupo detido maioritariamente pela Prisa, grupo espanhol com grandes ligações ao PSOE, de que Pina Moura (o super-ministro de Guterres) foi administrador até muito recentemente.

Sem trazer para aqui sequer as declarações de Sócrates quando estava na oposição sobre a manipulação por parte do Governo da altura da PT para controlar e influenciar grupos de comunicação social, serve-me isto para uma reflexão sobre as privatizações incompletas. Qual o sentido de, em sectores que se pretendem concorrenciais e livres como o da comunicação social e da energia, manter o Estado participações sociais em grandes empresas que privatizou? O sentido político compreendo eu: é oportuno para, em situações destas, condicionar e influenciar decisões, manipulando os grupos económicos de acordo com interesses políticos do Governo do momento. Mas qual a justiça disto?

Estamos perante uma questão de liberdade, transparência e seriedade política. Até quando vamos permitir situações destas?

Colina Sagrada: Patifarias

Amanhã à noite subirá ao palco do S. Mamede um grande artista brasileiro. Dj Patife é dos mais conhecidos nomes do drum'n'bass mundial. Misturando as batidas duras deste estilo com o ritmo suave e balanceado da música brasileira, Patife atingiu o topo do mundo da música electrónica. Com a fama, democratizou e popularizou também a sua música, ouvida nos mais diversos ambientes: das festas underground às de escola. Amanhã teremos oportunidade de ouvir a sua música quente em Guimarães.

Bilhetes a 10€, com direito a uma bebida se com convite.



Publicado inicialmente no Colina Sagrada.

Colina Sagrada: O desastre do S. João em Braga

Fotografia de Renata Oliveira, via Avenida Central.

Este ano passei a noite de S. João em Braga, entre a Avenida da Liberdade e a Avenida Central. Jantei sardinhas nas tasquinhas nas proximidades do Parque de Exposições de Braga. Andei a levar turras de martelos de plástico e com alhos-porros na cara. Andei no meio da multidão, para cima e para baixo. Só não comi farturas porque estava enjoado, da comida e da festa.

A mim, essa festa pareceu-me uma imbecilidade, perdoem-me os bracarenses o desplante. São os putos com umas gaitas estridentes a bufarem-nas constantemente aos ouvidos de quem passa (apontando-as, mesmo!). São miúdos e graúdos às marteladas, umas dadas na nuca, outras onde calha e de lado, com a parte dura do plástico. É a exorbitância que pagámos para comer umas poucas sardinhas, meia dúzia de batatas a murro (batatas cozidas com pele, melhor dizendo), uma caneca de 50 cl de vinho verde tinto e dois pimentos assados, e esperar 45 minutos os dois à mesa pela refeição (30€!!!).

Para o ano, não volto a repetir o erro. Para o ano, guardo-me para o S. Pedro da Póvoa de Varzim, se os exames mo permitirem. Essa sim, uma grande festa!

Publicado inicialmente no Colina Sagrada.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Colina Sagrada: Dia Um de Portugal


Hoje celebra-se, em muitos concelhos do país, o dia de S. João Baptista. Em Guimarães, para fazer jus à nossa fama, não vamos nessa de celebrar santos, por mais santos que tenham sido em vida ou em morte. Os únicos que lembramos no nosso calendário é um santito franciscano, e porque por cá andou...

Em Guimarães celebramos o dia marcante no início da caminhada pela independência. No longínquo ano de 1128, neste preciso dia, travou-se por cá uma batalha entre os nobres minhotos e galegos e afectos a D. Teresa. Muito se pode dizer sobre as motivações de uns e de outros, sobre a dimensão do combate e mesmo sobre onde decorreu. Mas parece indiscutível, à distância, a importância da batalha no caminho para a fundação de Portugal.

Hoje, esta data é apenas lembrada em Guimarães, qual último reduto da Nação, como gostamos de nos pensar. Custa a crer como é possível não haver em Portugal uma única data para celebrar a fundação da Nação. Comemoramos a Restauração da Independência, a República, a Revolução, mas nenhuma data de impacto nacional anterior ao século XVII.

No final do século XIX, o fervor patriótico fez com que se começasse a comemorar, com pompa e circunstância, o falecimento de Camões. A elite republicana e letrada levou o poeta a ser celebrado oficialmente, como símbolo da Nação. Trata-se de uma data com forte carga simbólica, como lembrou António Barreto no 10 de Junho deste ano. No entanto, esta data é hoje encarada com indiferença pelos portugueses: à semelhança de muitos feriados nacionais, pouco lhe diz.

Este ano temos ainda a particularidade de celebrar os 900 anos de nascimento de D. Afonso Henriques, o grande vencedor da batalha que hoje celebramos. Este que foi o nosso primeiro rei e que é das figuras históricas mais acarinhadas pelos portugueses, não é nunca celebrado no calendário oficial.

Numa época em que as identidades se misturam e diluem como nunca, vale a pena reflectirmos sobre o que é isto de nos sentirmos portugueses. Há 881, os nossos antepassados iniciaram um caminho difícil e tortuoso, que levou ao topo do mundo, que nos trouxe aonde estamos agora e que nos levará, talvez, mais longe que nunca. Vale a pena reflectirmos sobre a importância deste dia.

Publicado inicialmente no Colina Sagrada.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Uma realidade difícil de esconder


Sexta-feira, Junho 19, 2009

Efeito Cavaco?

Que me lembre, é a primeira vez que as comemorações do 24 de Junho merecem este destaque, ainda para mais antecipado. Três notícias da Lusa, duas das quais a darem relevo à questão do local de nascimento de D. Afonso Henriques, já é qualquer coisa.

Pode ser que, com o Presidente da República por cá, Guimarães tenha um merecido destaque nos media nacionais. Depois de, há um mês e pouco, ninguém ter ligado pevide à confirmação pela União Europeia de que o nosso concelho será Capital Europeia da Cultura em 2012, pode ser que desta Guimarães apareça nos telejornais ou fuja da secção "Local" dos jornais...

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Colina Sagrada: Boas notícias para a CEC!


José Sócrates é hoje o homem do dia. Com debate no Parlamento, moção de censura e entrevista à noite, o nosso Primeiro-Ministro teve um dia preenchido. Confesso que estive todo o dia ocupado com outras coisas para prestar grande atenção às horas a que teve direito em discurso directo na televisão. Mas não posso deixar passar em branco uma declaração sua, em que assumiu, pela primeira vez talvez na sua vida, que errou. Disse que deveria ter investido mais na Cultura. Já não é mau admitir um erro entre muitos, sendo o pior dos quais ter decidido dedicar o seu tempo à política nacional.

Ora, como à partida o Primeiro-Ministro é um homem comprometido com o país, estou em crer que irá tentar corrigir os seus erros. Pode começar, por exemplo, por aumentar a dotação do Governo à Capital Europeia da Cultura de 2012. Afinal, e se considerarmos como possível a mais que improvável reeleição no Outono, será o mais importante evento cultural a ocorrer em Portugal enquanto está à frente do Governo. Bem sei que os projectos estão a ser pensados para 111 milhões de euros, mas se vierem mais uns trocos certamente que daí não advirá qualquer mal... Se pensarmos bem, o Estado investiu muito mais que isso numa empresa aqui perto para a manter em território nacional que, ao fim de algum tempo, fechou portas...

Assim haja vontade e saiba Magalhães mexer-se nos corredores do Rato...

Publicado no Colina Sagrada.

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Finalmente temos Ministro

Hoje é um dia marcante. É, que me lembre, a primeira vez que o actual Ministro da Cultura faz uma proposta a sério. Desta vez, não se limitou a tecer considerações de circunstância ou a dizer baboseiras. Finalmente, uma ideia. E, no meu entender, uma boa ideia.

O exemplo

No seguimento do artigo anterior, não posso deixar de partilhar convosco o que me veio à cabeça enquanto lia o discurso de António Barreto. É este o exemplo que os portugueses pretendem seguir?



Memória do 10 de Junho

Este ano, as comemorações do 10 de Junho passaram-me completamente ao lado. Só hoje, 17, vejo fotografias da cerimónia oficial e leio o discurso de António Barreto. Discurso, aliás, de leitura quase obrigatória. Aqui deixo alguns excertos.

Descobrimos mundos, mas fizemos a guerra, por vezes injusta. Civilizámos, mas também colonizámos sem humanidade. Soubemos encontrar a liberdade, mas perdemos anos com guerras e ditaduras.

Fizemos a democracia, mas não somos capazes de organizar a justiça. Alargámos a educação, mas ainda não soubemos dar uma boa instrução. Fizemos bem e mal. Soubemos abandonar a mitologia absurda do país excepcional, único, a fim de nos ransformarmos num país como os outros. Mas que é o nosso. Por isso, temos de nos ocupar dele. Para que não sejam outros a fazê-lo.

É a pensar nessas gerações que devemos aproveitar uma comemoração e um herói para melhor ligar o passado com o futuro. Não usemos os nossos heróis para nos desculpar. Usemo-los como exemplos. Porque o exemplo tem efeitos mais duráveis do que qualquer ensino voluntarista.

Pela justiça e pela tolerância, os portugueses precisam mais de exemplo do que de lições morais. Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses necessitam de exemplo, bem mais do que de sermões.

Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensíveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo.

Pela liberdade e pelo respeito devido aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes.

Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos.

Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo com mais elevado sentido de justiça.


Terça-feira, Junho 16, 2009

Colina Sagrada: Com que então 2012...


Guimarães será Capital Europeia da Cultura em 2012. Faltam, portanto, pouco mais de dois anos e seis meses para o início do evento. Muito pouco se sabe sobre o que se fará para receber esse título/iniciativa europeia, e o que se sabe é extremamente filtrado. A Câmara tem mantido, nesta questão, uma rigorosa disciplina de silêncio, sabendo-se de muito pouco fora das raras declarações oficiais. Faz lembrar outros tempos e outras paragens...

Tanto rigor parece-me excessivo. Da CEC espera-se abertura à sociedade, capacidade de ouvir e de partilhar ideias e projectos. De Santa Clara só têm tornado públicos e posto à discussão os projectos quando prontos. É legítimo, mas não me parece que seja correcto.

Muitos têm comparado o estado do nosso projecto para 2012 com o que partilhará connosco o título nesse ano, ou mesmo com aqueles que nos sucederão. Comparam a dinâmica dos seus projectos com o quase imobilismo do nosso, reflectido no site guimaraes2012.com.

Ora sucede que esse site tem uma história curiosa para contar... Há uns tempos atrás, decidi-me a escrever para o e-mail lá indicado a pedir mais informações sobre a Capital Europeia da Cultura. Eis que me respondem que "O domínio foi registado por cidadãos vimaranenses de forma a evitar que caísse nas mãos de pessoas externas à cidade, uma vez que não tinha sido ainda registado pelas entidades oficiais."

Ora, se assim é, espanta-me o atraso da Câmara em não assumir o controlo do domínio. Se o problema é estabelecer contacto, permitam-me facilitar as coisas: o nome e o número de telefone de quem registou o site pode ser consultado aqui.

Artigo publicado no Colina Sagrada.

Colina Sagrada

Inicio hoje uma colaboração com o blogue Colina Sagrada. Este que é dos mais antigos blogue vimaranense ainda em funcionamento e, provavelmente, o mais visitado dos do concelho, passa assim a contar com três autores: Samuel Silva, Paulo Silva e eu próprio.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

A obra deste mandato

Tenho discutido muito com familiares e amigos o (in)sucesso do actual mandato do Presidente da Câmara. Muitos me dizem que António Magalhães "tem obra" a apresentar, ao que eu tenho respondido que já teve...

Mas eis que descubro que estou errado. Após muito pensar, descobri qual a grande obra de referência deste mandato: a horta pedagógica!

Fotografia retirada daqui.

Péssimas notícias


"Há mais Interrupções Voluntárias da Gravidez em altura de crise", diz Duarte Vilar, director executivo da Associação para o Planeamento da Família, Isso acontece porque, nestas alturas de crise, "é menor a margem de aceitação de uma gravidez inesperada".

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Reconhecimento

Esta semana trouxe grandes novidades sobre a Capital Europeia da Cultura. A Câmara quebrou o silêncio e divulgou o que tem estado a fazer e os projectos que pretende levar a cabo até 2012. Viram-se confirmadas as notícias que foram saindo nos últimos meses acerca das mudanças dos planos anunciados anteriormente. No entanto, a Câmara mostrou trabalho.

Devo reconhecer que me agradaram as novidades. Mantenho algumas dúvidas que já por aqui fui dando nota. Mas dos novos projectos avançados ou profundamente alterados, resta saber se haverá tempo até 2012 para os pensar, planear e construir em condições.

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Um outro hip-hop

Este vídeo está demais!

Porque está bom tempo

Está bom tempo. Amanhã há festa dos Efeito Borboleta. Está a chegar o Verão e já sonho com as noites longas à beira-mar. Aqui fica um "clássico" da minha adolescência.

No more rainy days!

Maxine Inniss - I Appreciate

Terça-feira, Junho 09, 2009

Da indiferenciação dos partidos

Nos últimos anos, uma das frases mais ouvidas sobre os partidos políticos é que são todos iguais. O senso comum diz-nos que os partidos tradicionais de poder, ao chegarem ao Governo, acabam por tomar decisões semelhantes, não se diferenciando por opções políticas de fundo. Isto funciona não só para o PS e para o PSD, mas também para o CDS-PP, como ficou comprovado no Governo de coligação liderado por Durão Barroso. Algo me diz que com o BE se passará a mesma coisa, se algum dia lá chegar (o que espero que não aconteça).

Este cenário, que leva o eleitorado com frequência para os antípodas do espectro político (veja-se a Frente Nacional em França, a extrema-direita na Holanda e no Reino Unido ou o recente aumento da extrema-esquerda em Portugal), tem uma justificação. Desde o início da década de 1980, com o Governo de Bloco Central liderado por Mário Soares, Portugal optou por trilhar um caminho de convergência com as principais potências ocidentais. Na altura, o país estava praticamente falido, tendo sido necessária a intervenção do FMI para equilibrar as contas públicas e para ditar as políticas que deveriam ser seguidas rumo à estabilidade e ao crescimento económico. Depois, foi a entrada do nosso país para a União Europeia e as exigências comunitárias em diversas matérias, que limitam as opções políticas em campos como a agricultura, imigração, política económica, segurança, mercado de trabalho, exigências alimentares, etc. Hoje em dia os Governos têm o seu leque de opções limitado pelas decisões que as organizações internacionais de que fazem parte (e em cujo processo de decisão estão envolvidos).

Associado ao fim da crença nas ideologias mais fortes de direita e de esquerda na segunda metade do século XX, é minha opinião que este foi um dos factores que mais contribuíram para o sentimento de indiferenciação entre os partidos políticos, tendo como face mais visível a abstenção nos actos eleitorais.

Um comentário, só mais um!

Eu sei que disse que não ia comentar mais as eleições de ontem, mas não posso deixar de fazer aqui uma análise que me veio à cabeça ao ver melhor os resultados... Há muito que se fala no divórcio entre os cidadãos e a política, que se diz ter reflexo na abstenção. Ora bem, nestas eleições havia 13 partidos a votos, representando ideias e ideologias para todos os gostos e feitios. Da extrema-direita à extrema-esquerda, de anti-europeus militantes a quase federalistas, de monárquicos a comunistas de todas as cores e feitios, era só o freguês escolher. Mais, havia vários partidos novos ou outros não tão novos mas afastados há muito dos partidos do centrão aos quais tanta culpa se atribui para o actual estado de coisas. Por incrível que pareça, nem assim a abstenção diminuiu.

Será que são os partidos e os políticos (o que quer que isso seja) viraram costas aos cidadãos ou foram simplesmente os cidadãos que, nesta época tão individualista, viraram as costas à política e aos partidos? Depois de já ter tido a opinião contrária, começo a pensar se não será a segunda... É sempre mais fácil atribuir as culpas aos outros do que assumi-las.

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Do dia de ontem

Ontem o dia terminou com uma muito significativa vitória do PSD, importantíssima derrota do PS e alarmante aumento de votos na extrema-esquerda. Não vou aqui fazer mais comentários ao resultado, pois já estou mais do que cansado de os ver por aí. Aqui deixo os resultados eleitorais da minha freguesia, S. Sebastião, pesquisados nesta página.

O dia de ontem

Ontem fui pela primeira vez para uma das mesas de voto da minha freguesia (S. Sebastião). A convite do Pedro Morgado escrevi este comentário durante a minha pausa para almoço.

Desde as sete horas que a equipa da mesa de voto está reunida. As urnas abriram às oito, já com gente à espera para votar. Até agora, tudo decorre com normalidade. A assinalar apenas a confusão que o Cartão do Cidadão está a causar: a suposta reforma eleitoral veio complicar mais o voto.

O Cartão do Cidadão reúne cinco cartões num só, mas não traz impressos todos os antigos números. Uma vez que as listagens na mesa de voto ainda estão organizadas por número de eleitor (sendo a pesquisa feita através deste), sempre que um eleitor nos apresenta o seu novo cartão sem trazer o antigo cartão de eleitor ou sem saber de cor o número obriga a que um membro da equipa da mesa de voto tenha de recorrer ao computador portátil, com internet portátil, que o Presidente de Junta trouxe de sua casa para pesquisar na página do recenseamento do Ministério da Administração Interna o número do eleitor.

Sábado, Junho 06, 2009

Clássicos

Um clássico da pop:





The Pretenders - Brass in Pocket (1979)

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Fim da primeira volta


Termina hoje a campanha das eleições para o Parlamento Europeu. Confesso que chega ao fim uma campanha de que esperava mais.

Começando pelo mais óbvio: esperava muito mais de Vital Moreira. Pelo que conheço dele (dos artigos do Público e da blogosfera), esperava mais conteúdo político, mais ideias e uma forma diferente de ver a Europa. O que vi foi um homem com imensas carências de comunicação, que nem a bem oleada máquina socialista conseguiu esconder, com ideias já vistas e polémicas. No entanto, continuo a reconhecer-lhe a sua independência, dado que foi capaz de romper nalguns pontos com a posição oficial socialista.

De Nuno Melo esperava mais vitalidade. Reconheco-lhe uma excepcional capacidade política, bem visível no Parlamento e recentemente na comissão de inquérito do BPN, cuja criação defendeu acerrimamente e de que é o principal motor. Nesta campanha parece-me que não esteve no seu melhor nível.

Julguei que o MEP ia ter uma presença mais forte nesta campanha. Esteve bem, foi aparecendo, mas não foi capaz de se diferenciar nas ideias. De Laurinda Alves ouviram-se muitas (boas) opiniões, mas não lhe conheci nenhuma proposta concreta para a União Europeia. Nota-se que o MEP tem bandeiras interessantes, que há muito precisavam de alguém para as levantar na sociedade portuguesa. No entanto, penso que ainda não encontrou o seu registo e o seu espaço próprio. Até Outubro tem tempo para se reorientar.

A grande derrotada desta campanha é a comunicação social. O tratamento dado por quase todos os jornais, televisões e rádios às eleições foi péssimo. Muitos foram os que fizeram o possível e o impossível para denegrir a imagem da política e dos políticos. Tendo tido oportunidade para acompanhar algumas actividades de campanha em que ouvi candidatos ao Parlamento Europeu debater a Europa, rara foi a altura em que a comunicação social lhes deu espaço para as apresentarem. Preferiram sempre mostrar o sangue, a resposta a uma farpa lançada, o pior do que se passava. A SIC, essa marca de referência na informação, foi a campeã neste tipo de tratamento.

Para o final deixo o melhor: o PSD. A campanha que o meu partido fez superou as minhas expectativas. Paulo Rangel e toda a lista estiveram muito bem ao longo das últimas semanas. Para um partido que há uns meses estava lá para trás nas sondagens, a mais de dez pontos percentuais de distância do PS, a que todos vaticinavam uma desgraça, que estava assolado por uma guerra interna pelo poder, situar-se agora num empate técnico com o seu principal adversário é óptimo. O mérito é dos candidatos e da direcção.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

A política na Europa


O Tratado de Lisboa sofreu um golpe quase mortal com a rejeição em referendo na Irlanda. Muitos até o declararam morto, como Pacheco Pereira fez em Guimarães. Enganou-se: a crise salvou-o. Os irlandeses, que tanto ganharam com a União Europeia e que tanto têm sofrido nos últimos meses com o agravar da situação económica voltam a reler o Tratado, agora suavizado a seus olhos com as promessas dos europeístas, que lhes disseram que nada em Lisboa prevê alterações nas leis do aborto, divórcio, etc.

Se houvesse um novo referendo hoje, 54% dos irlandeses votariam a favor, havendo contra menos de 30% da população.

Receita de Mulher


Receita De Mulher - Vinicius De Moraes

As muito feias que me perdoem Mas beleza é fundamental. É preciso que haja qualquer coisa de flor em tudo isso, qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute-couture em tudo isso (ou então que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa). Não há meio-termo possível. É preciso que tudo isso seja belo. É preciso que súbito tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.

É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche no olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso!, que isso tudo seja belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas lembrem um verso de Élouard e que se acaricie nuns braços alguma coisa além da carne: que se os toque como o âmbar de uma tarde.

Ah, deixai-me dizer-vos!

Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca fresca (nunca húmida!), móvel, acordada, é também de extrema pertinência. É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas no enlaçar de uma cintura semovente.

Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes. Indispensável que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida a mulher se alteie em cálice, e que seus seios sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca e possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas. Sobremodo pertinente é estarem a caveira e a coluna vertebral levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal. Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas e que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem,no entanto, sensível à carícia em sentido contrário. É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos).

Preferíveis, sem dúvida, os pescoços longos de forma que a cabeça dê por vezes a impressão de nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos discretos. A pele deve ser frescas nas mãos, nos braços, no dorso, e na face, mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior a 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras de primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes e de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta ou, caso baixa, que tenha a altitude mental dos altos píncaros.

Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos, quando se os abrir ela não estará mais presente com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá e que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber o fel da dúvida. Oh, sobretudo que ela não perca nunca, não importa em que mundo não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre o impossível perfume; e destile sempre o embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efémero; e em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação enumerável.

Vinicius de Moraes